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Chuva e foguetes dia do casamento Imprimir

Extraido do blog: O rabo do gato
http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/
De: Lília Mata
Editado: 23 de Setembro de 2005

Chuva e foguetes dia do casamento

Casamento com chuva, casamento afortunado. Esta crença era comum no tempo dos meus pais e eles tiverem direito a chuva na segunda-feira de Outubro em que casaram na Igreja do Caniço. Os casamentos realizavam-se por regra às segundas-feiras, de manhã, e para o almoço em casa dos noivos eram convidadas apenas as pessoas mais chegadas.

As mães, quer do noivo, quer da noiva, por norma não iam à cerimónia religiosa. Ficavam em casa a tratar das lides, dando os últimos retoques para eliminar os vestígios da confusão da "cama dos noivos".

Os noivos iam para a Igreja muito cansados devido à festa da véspera e é por isso que a maioria tem um ar estranho nas fotografias a preto e branco que ficaram para a posteridade. Surgem pálidos e com olheiras, afinal naquele tempo as noivas do campo não usavam maquilhagem nenhuma. Pode-se dizer que os noivos iam para a Igreja "quase azougando" das canseiras da véspera, pois eles também andavam num vai-vém até de madrugada a servir os convidados da "cama dos noivos".

Na hora de almoço, havia sempre foguetes lançados em casa dos noivos, era da tradição. A propósito dos foguetes, conta-se ainda a história engraçada de um casal do sítio que casou às escondidas, sem dizer nada nem convidar quem quer que fosse, para ninguém meter o bedelho. Mas as coisas acabaram por saber-se e dois amigos decidiram pregar aos noivos uma partida. Um deles era o meu pai. Compraram foguetes e na hora de almoço, toca a deitá-los na precisa direcção da casa dos noivos, de maneira a chamar a atenção de todo o sítio.

Esse não foi o único caso de noivos às escondidas. Contam-se mais alguns, entre eles o de uma pessoa da minha família. Enfim, cada um com a sua mania e toda a gente tem direito a ser "bicho do buraco" de vem em quando. Mas não tenho dúvidas de que, apesar da canseira da "cama dos noivos" e da curiosidade das pessoas que iam esperar os noivos à saída da igreja para lhes atirarem flores, esses casais perderam rituais importantes. Memórias que hoje podiam contar aos filhos e aos netos, num qualquer serão, aconchegados à volta de um mesa de cozinha.

 
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